Casos de uso

Caso: uma clínica colombiana recebe pagamentos de pacientes do exterior com link de pagamento

Receber de pacientes internacionais exige sinal, saldo e conciliação exata com a nota fiscal. Veja como uma clínica colombiana fictícia organiza esse ciclo.

Erika Sandoval
Erika Sandoval11 min de leitura
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Casos de uso

Uma clínica em Bogotá fecha o plano de tratamento de uma paciente que mora em São Paulo. A paciente aceita o orçamento, mas antes de reservar a data do procedimento a clínica precisa de duas coisas: um sinal que confirme a reserva e a certeza de que esse sinal, e o saldo que vem depois, vão conciliar sem atrito com a nota fiscal e com o cadastro administrativo da paciente. Receber de alguém que mora em outro país, sem gateway de pagamento próprio nem conta bancária no exterior, é um problema operacional antes de ser um problema médico.

Na Soulbit Academy apresentamos este caso como um exemplo ilustrativo e fictício, não como uma cliente real. A clínica não existe e todos os números são hipóteses de trabalho. O objetivo é mostrar como se organiza o recebimento de pacientes do exterior quando a clínica usa link de pagamento e QR code de cobrança em stablecoin, e qual parte do processo continua sendo responsabilidade própria da empresa. Por se tratar de um caso do setor de saúde, o artigo evita qualquer dado clínico: não se nomeia procedimento, diagnóstico nem histórico médico, apenas "o plano de tratamento" como referência administrativa.

O perfil da clínica (caso ilustrativo)

Clínica Altozano é uma clínica fictícia com sede em Bogotá que atende pacientes do Brasil, de Portugal e dos Estados Unidos, além da sua base local. Todos os números a seguir são hipóteses de trabalho, não dados reais de nenhum estabelecimento. As hipóteses são estas:

  • Cerca de 15 pacientes do exterior por mês que confirmam um plano de tratamento (hipótese).
  • Um sinal de 40% do valor do plano para reservar a data, pago antes da viagem (hipótese).
  • Um saldo de 60% restante, pago no dia da alta (hipótese).
  • Valores de plano de tratamento entre 3.000 e 8.000 dólares, conforme o caso (hipótese).
  • Uma equipe administrativa de três pessoas: uma gerente administrativa, uma coordenadora de pacientes internacionais e uma contadora externa.

Antes de emitir a primeira cobrança, a clínica concluiu o próprio KYB para abrir a conta. Até agora, o sinal chegava por transferência bancária internacional, com vários dias de espera e uma tarifa que a paciente ou a clínica absorviam conforme o banco. O saldo era cobrado na maquininha na chegada, quando a paciente já estava fisicamente na clínica.

Por que receber de um paciente do exterior não é como receber de um paciente local

Receber de um paciente do exterior soma dois passos que um pagamento local não tem: confirmar que o dinheiro chegou antes de bloquear uma data na agenda, e documentar a operação para o regime cambial e fiscal colombiano. Um pagamento local em pesos não ativa nenhuma dessas duas obrigações.

O ciclo da Clínica Altozano tem nove passos. O primeiro é o orçamento do plano de tratamento em dólares. O segundo é a nota fiscal eletrônica. O terceiro é a cobrança do sinal por link de pagamento ou QR code de cobrança. O quarto é a confirmação on-chain do pagamento. O quinto é a cobrança do saldo após o procedimento. O sexto é a conciliação de cada pagamento com a nota fiscal e o cadastro da paciente. O sétimo é a conversão do saldo acumulado para pesos pelo rail bancário local, quando a clínica precisa. O oitavo são os documentos cambiais e fiscais da operação. O nono é a política de devoluções e cancelamentos.

A clínica precisa integrar um checkout no próprio site para cobrar da paciente?

Não. O link de pagamento e o QR code de cobrança não exigem integração técnica: são gerados num painel e compartilhados por e-mail ou mensagem, sem tocar no site da clínica.

O percurso da cobrança, passo a passo

A cobrança de um paciente do exterior começa no orçamento e termina na conciliação, não no pagamento do saldo. Cada passo deixa um registro de que o passo seguinte precisa.

Primeiro, a coordenadora envia o orçamento do plano de tratamento em dólares. Segundo, ao aceitar a paciente, a clínica emite a nota fiscal eletrônica pelo sinal, sob as regras da DIAN colombiana. Terceiro, a clínica gera o link de pagamento ou o código QR pelo valor do sinal e o envia antes da viagem. Quarto, a paciente paga em USDC ou USDT a partir da própria carteira, e a rede registra a operação com um identificador único, verificável de forma independente. Quinto, após o procedimento, a clínica gera um segundo link ou QR pelo saldo, que a paciente paga no dia da alta. Sexto, a equipe cruza cada identificador on-chain com a nota fiscal e o cadastro, sem dados clínicos nesse cruzamento.

A Tabela 1 compara o circuito anterior da clínica com o que passa a usar depois de incorporar link de pagamento e QR.

Etapa da cobrançaAntes (circuito bancário tradicional)Depois (link de pagamento e QR)
Orçamento e aceiteOrçamento em dólares por e-mail, sem mudança nesta etapaIgual: orçamento em dólares por e-mail
Cobrança do sinalTransferência SWIFT, vários dias de espera e tarifa bancáriaLink de pagamento ou QR; a paciente paga em USDC ou USDT em minutos
Verificação do pagamentoEsperar o extrato bancário para confirmar que o dinheiro chegouIdentificador on-chain verificável na hora
Cobrança do saldoMaquininha ou nova transferência no dia da altaNovo link de pagamento ou QR, mesmo mecanismo do sinal
Conversão para pesosDepende do banco recebedor e da sua taxa internaSob cotação eOTC visível, pelo rail bancário local
ConciliaçãoCruzamento manual contra o extrato, às vezes dias depoisCruzamento no mesmo dia entre identificador, nota fiscal e cadastro
Tabela 1. Antes e depois do processo de cobrança de um paciente do exterior na Clínica Altozano (caso ilustrativo, números hipotéticos).

O que acontece se a paciente não tiver stablecoins?

Então o link de pagamento não se aplica a essa cobrança, e a clínica volta ao seu circuito habitual de transferência ou cartão. Vale confirmar isso ao enviar o orçamento, antes de gerar qualquer link.

Sinal, saldo e conciliação com a nota fiscal e a paciente

Conciliar um pagamento de paciente significa cruzar, para cada cobrança, três registros: o identificador on-chain, a nota fiscal eletrônica e o cadastro administrativo da paciente. A Clínica Altozano concilia cada pagamento no mesmo dia em que o recebe, não no fechamento do mês, com uma lógica próxima à de conciliar pagamentos em stablecoin com a contabilidade.

O cadastro administrativo guarda só o que a cobrança exige: nome, país, datas de contato e o plano combinado. Não guarda diagnóstico, procedimento nomeado nem histórico clínico, e esse cadastro é tratado com o mesmo cuidado de qualquer dado pessoal sensível, sem ser detalhado neste artigo. A Tabela 2 mostra os quatro registros cruzados em cada conciliação.

Registro que a clínica conciliaO que contémCom o que se cruza
Identificador da operação on-chainValor em USDC ou USDT, data e hora, rede utilizadaNota fiscal eletrônica e cadastro da paciente
Nota fiscal eletrônica (DIAN)Valor faturado, se é sinal ou saldo, dados da paciente como clienteComprovante de pagamento e plano combinado
Cadastro administrativo da pacienteNome, país, datas de contato; sem dados clínicosOrçamento aceito e calendário do procedimento
Comprovante de conversão para pesos (se aplicável)Valor convertido, cotação eOTC, dataLivro de tesouraria e orçamento em pesos da clínica
Tabela 2. Conciliação de cada pagamento de paciente do exterior na Clínica Altozano (caso ilustrativo).

Duas regras mantêm essa conciliação organizada. A primeira é fechar o cruzamento no mesmo dia, porque uma paciente que viaja gera perguntas rápidas sobre o seu saldo. A segunda é guardar cada conciliação como um registro próprio, com data e versão, porque ela será a referência se a paciente ou seu seguro pedirem um comprovante depois.

A conversão para pesos e os documentos cambiais e fiscais

Receber em stablecoin não tira uma clínica colombiana do regime cambial nem da obrigação de faturar.

O regime cambial colombiano está fixado na Resolução Externa 1 de 2018 da diretoria do Banco de la República. Essa norma exige canalizar pelo mercado de câmbio a receita de exportação de serviços quando a operação de base é de canalização obrigatória, e repatriar as divisas dentro do prazo de seis meses contado do recebimento. O regime cambial colombiano para empresas é detalhado neste guia.

Sobre o IVA colombiano, um serviço de saúde prestado a uma paciente do exterior não fica isento de forma automática. O Concepto 008660 de 2024 da DIAN confirma que a isenção do artigo 481, alínea e, do Estatuto Tributário, regulamentada pelo Decreto 1794 de 2013, exige que o serviço seja prestado na Colômbia e usado exclusivamente no exterior. Um procedimento realizado numa paciente fisicamente presente no país costuma ser fruído dentro da Colômbia, não fora dela, então a Clínica Altozano não assume a isenção por padrão: revisa cada caso com seu contador antes de faturar.

Quem apresenta a declaração de câmbio dessa cobrança?

A clínica, não a Soulbit. A plataforma confirma o pagamento em stablecoin e, se a clínica pedir, converte o saldo para pesos sob cotação eOTC (OTC por cotação, sem livro de ofertas), mas não apresenta a declaração de câmbio nem repatria as divisas em nome da empresa. A nota fiscal eletrônica de venda continua obrigatória, emitida sob o sistema regulado pela Resolución 165 de 2023 da DIAN. O turismo de saúde para a Colômbia vem crescendo: entre janeiro e agosto de 2026 entraram no país 21.034 estrangeiros não residentes por tratamentos médicos, 17,6% a mais que em 2025, segundo dados da Migración Colombia citados pelo Portafolio.

Cancelamentos, devoluções e proteção dos dados da paciente

Uma política de cancelamento precisa ser definida antes de cobrar o sinal, não depois de receber o primeiro cancelamento. Como hipótese de trabalho, a Clínica Altozano define o sinal como reembolsável em 100% se a paciente cancelar com mais de 30 dias de antecedência, em 50% entre 30 e 10 dias, e não reembolsável nos últimos 10 dias, salvo causa médica justificada.

Como se devolve um sinal que já foi pago em stablecoin?

Como um novo pagamento. A Soulbit não reverte uma transação confirmada nem gerencia a disputa entre a clínica e a paciente: se a clínica decide reembolsar, gera um pagamento para a carteira da paciente, com seu próprio identificador e sua própria conciliação, separado da cobrança original.

Sobre os dados da paciente, a clínica trata as informações pessoais, incluindo qualquer dado sensível, segundo as regras de proteção de dados fiscalizadas pela Superintendencia de Industria y Comercio da Colômbia, independentemente de como o serviço foi cobrado. Este artigo não detalha quais dados clínicos a clínica guarda nem como os protege, porque esse não é o seu objeto: o foco aqui é a cobrança e a conciliação administrativa, não o prontuário médico.

O que o V1 da Soulbit entrega e o que não resolve neste caso

O V1 da Soulbit entrega cinco capacidades: links de pagamento, QR codes de cobrança, confirmação on-chain, conversão eOTC para pesos pelo rail bancário local e custódia institucional enquanto o saldo está na plataforma. Não entrega cobrança com o cartão da paciente, checkout embutido no site da clínica nem cobranças automáticas: cada cobrança é um link ou um código que a clínica emite para aquela paciente e aquele valor. Também não emite a nota fiscal, não apresenta a declaração de câmbio nem repatria as divisas em nome da empresa; e para uma paciente sem stablecoins, o link de pagamento simplesmente não se aplica, e a clínica volta ao seu circuito bancário ou de cartão habitual.

Três conclusões valem para outras clínicas com pacientes do exterior. Primeiro, o link de pagamento resolve a cobrança, não a obrigação fiscal nem cambial, que continua sendo responsabilidade da empresa. Segundo, separar o cadastro administrativo do prontuário clínico facilita conciliar sem expor informação sensível. Terceiro, uma política de cancelamento escrita antes da primeira cobrança evita negociar condições no meio de um cancelamento real.

Para receber de um volume maior de clientes internacionais, o caso de uma startup SaaS que recebe em USDC de clientes em 12 países mostra como o mesmo mecanismo escala fora do setor de saúde.

Perguntas frequentes

A Clínica Altozano é uma cliente real da Soulbit?

Não. Clínica Altozano é uma empresa fictícia criada para explicar como uma clínica pode organizar o recebimento de pacientes do exterior. Os valores, percentuais e prazos deste artigo são hipóteses de trabalho e não correspondem a preços nem a resultados da Soulbit.

Um paciente do exterior pode pagar com cartão pela Soulbit?

Não. O paciente paga em stablecoins, USDC ou USDT, a partir da própria carteira. A Soulbit não processa o cartão do paciente nem oferece um checkout embutido no site da clínica. Para um paciente sem stablecoins, a clínica continua cobrando pelos meios habituais, como transferência bancária ou seu processador de cartão atual.

Cobrar com link de pagamento dispensa a clínica colombiana de declarar a operação de câmbio?

Não. O regime cambial colombiano regula a operação de fundo, não o instrumento que a cobra. Se a receita precisa ser canalizada pelo mercado de câmbio, a clínica deve apresentar a declaração de câmbio e repatriar as divisas dentro do prazo fixado pelo Banco de la República, exatamente como faria após uma transferência bancária.

Um procedimento em um paciente do exterior é automaticamente uma exportação de serviços isenta de IVA na Colômbia?

Não de forma automática. A isenção do artigo 481, alínea e, do Estatuto Tributário colombiano exige que o serviço seja usado exclusivamente no exterior. Um procedimento realizado em um paciente fisicamente presente na Colômbia costuma ser fruído dentro do país, não fora dele, então a clínica precisa confirmar o tratamento exato com seu contador e com a DIAN antes de aplicar qualquer isenção.

O que acontece se o paciente cancelar depois de pagar o sinal?

Depende da política de cancelamento que a clínica definiu e comunicou antes da cobrança. A Soulbit não gerencia reembolsos nem disputas de forma automática: se a clínica decide devolver o sinal, faz isso como um novo pagamento para a carteira do paciente, com seu próprio registro e sua própria conciliação.

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