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Pagar fornecedores internacionais em USDC desde o Panamá: guia para importadores

O Panamá já pensa em dólares: falta acelerar o trilho por onde o pagamento viaja.

Equipo Soulbit10 min de leitura
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Um importador panamenho compra na Ásia, recebe em Colón e vende na região. A sua contabilidade pensa em dólares desde o primeiro dia, porque o dólar circula como moeda de curso legal no país. Ainda assim, quando chega a hora de pagar a fatura do fornecedor, o dinheiro entra em uma cadeia de bancos correspondentes, leva dias e chega com deduções que ninguém detalhou.

Na Soulbit Academy tratamos essa operação pelo que ela é: um problema de trilho, não de moeda. A Soulbit é um trilho de pagamento e tesouraria em stablecoins para empresas, não um banco nem um escritório jurídico. Este guia percorre o marco vigente no Panamá, o dossiê que sustenta cada pagamento e as etapas concretas para executá-lo, com os limites ditos sem rodeios.

O ponto de partida: os dólares já estão resolvidos, o trilho não

A maioria dos países da região enfrenta dois problemas ao mesmo tempo: a conversão para moeda forte e a lentidão do pagamento internacional. O Panamá resolveu o primeiro. Um importador panamenho fatura, contabiliza e orça em dólares, e não precisa de proteção cambial para pagar um fornecedor estrangeiro.

Isso deixa o problema em um único ponto: o circuito por onde o dinheiro viaja. Uma ordem de pagamento internacional atravessa vários intermediários, cada um com o seu horário, a sua tarifa e o seu critério. A dimensão desse atrito está documentada pelo programa do BIS sobre pagamentos transfronteiriços, que existe porque o G20 considera esses pagamentos lentos, caros e pouco transparentes.

Para um importador, essa lentidão tem efeitos que a contabilidade enxerga. O fornecedor não embarca até confirmar o pagamento. Cada dia de atraso empurra a data de embarque, a chegada e a disponibilidade de estoque. A comparação completa entre os trilhos está em SWIFT vs stablecoin para pagamentos internacionais.

O que o marco panamenho diz, e o que não diz, sobre ativos virtuais

Aqui convém ser exato, porque circula muita confusão.

O Panamá não tem hoje lei especial de ativos virtuais em vigor. O Projeto de Lei 697 de 2021, que regulava a comercialização e o uso de ativos virtuais e os prestadores de serviços sobre eles, foi aprovado por insistência em terceiro debate pela Assembleia Nacional em 28 de outubro de 2022. O Executivo objetou a sua constitucionalidade e a Corte Suprema de Justiça o declarou inconstitucional na íntegra, em decisão publicada em 7 de setembro de 2023.

Ausência de lei especial equivale a proibição?

Não. São coisas distintas, e confundi-las leva a decisões ruins nos dois sentidos. O que há é ausência de regime específico, não proibição. A operação de uma empresa que usa stablecoins para pagar fornecedores rege-se pelo marco geral que já a alcança: normas societárias e contábeis, obrigações aduaneiras e tributárias, e o regime de prevenção à lavagem de dinheiro. Cada caso concreto deve ser validado com assessoria jurídica panamenha, sobretudo se a atividade se aproximar de prestar serviços sobre ativos virtuais a terceiros.

O Panamá fora do monitoramento intensificado do GAFI

Um segundo dado muda o clima de compliance e vale ter presente ao montar o dossiê.

No plenário de 25 a 27 de outubro de 2023, o GAFI deixou de submeter o Panamá a monitoramento intensificado, após verificar o avanço do país nas deficiências estratégicas identificadas e realizar uma visita in loco. É uma decisão sobre o país, não sobre qualquer empresa em particular.

Para o importador, o efeito é indireto mas real. Contrapartes do exterior, bancos correspondentes e prestadores de serviços financeiros costumam calibrar a exigência documental conforme o status do país. Isso não reduz nenhuma obrigação própria: a empresa continua precisando de um dossiê impecável. Apenas diminui o sobrecusto de partida.

Como executar o pagamento, passo a passo

Com o marco claro, o pagamento é um procedimento curto e repetível.

EtapaO que o importador fazQue documento fica
1. Combinar o meio de pagamentoConfirma se o fornecedor recebe USDC e quem absorve a taxa de redeCondições de pagamento na ordem de compra ou no contrato
2. Verificar a contraparteValida dados societários do fornecedor e o endereço de destinoFicha de fornecedor com a verificação registrada
3. Fundear o saldoConfirma saldo suficiente para o pagamento mais a taxa de redeComprovação do saldo antes de executar
4. AprovarAplica duplo controle: quem prepara o pagamento não o aprovaTrilha de aprovação com data e responsável
5. ExecutarEnvia o pagamento a partir do saldo em stablecoinsIdentificador on-chain da transação
6. ArquivarCruza o pagamento com fatura comercial, ordem e documentos de embarqueDossiê completo da importação
Tabela 1. As seis etapas para pagar um fornecedor do exterior em USDC desde o Panamá e o documento que deve ficar arquivado em cada uma.

Duas regras evitam quase todos os incidentes. A primeira: o endereço de destino é verificado por um canal diferente daquele em que chegou, e uma mudança de dados é tratada como evento de risco, com transferência de teste antes do pagamento completo. Um envio on-chain para o endereço errado não se reverte com uma ligação. A segunda: o duplo controle se aplica mesmo quando o time financeiro são duas pessoas.

O dossiê do importador: o que sustenta cada pagamento

Trocar o trilho não muda a carga documental de uma importação. Ela é reforçada, porque agora há uma peça a mais para arquivar e uma desculpa a menos.

O dossiê por operação deveria conter a ordem de compra, a fatura comercial do fornecedor, os documentos de embarque e aduaneiros, o comprovante do pagamento com o seu identificador on-chain, o valor bruto e a taxa de rede em separado, e a cotação de qualquer conversão. Com isso, o pagamento fica ligado à mercadoria e à declaração correspondente.

E se a aduana ou o fisco pedirem explicação de um pagamento de dois anos atrás?

Aí se nota se o dossiê foi montado na hora ou depois. Um pagamento com o seu identificador, a sua fatura comercial e o seu documento de embarque na mesma pasta se explica em minutos. O mesmo pagamento sem essa rastreabilidade obriga a reconstruir uma operação encerrada há tempos, com fornecedores que talvez já tenham trocado de contato. A regra é arquivar no dia do pagamento, não no dia da consulta.

A vantagem prática é que o identificador on-chain é verificável de imediato pelas duas partes, sem esperar o extrato bancário. O procedimento contábil está em como conciliar pagamentos em stablecoin na contabilidade. E antes de operar, a empresa completa a sua própria verificação por KYB, que valida a sociedade, o seu objeto e os seus beneficiários finais.

O que a Soulbit V1 entrega no Panamá e o que não entrega

Necessidade do importador panamenhoA V1 cobre?Como se resolve
Pagar fornecedores do exterior em USDC ou USDTSimEnvios individuais ou pagamentos em lote a partir de um mesmo saldo
Manter tesouraria em dólares digitaisSimConta empresarial com custódia institucional
Receber de clientes do exteriorSimPayment links e QR vinculados a cada fatura
Converter para fiatSim, em USD, EUR e GBPConversão por cotação sob demanda
Depositar em conta bancária panamenhaNãoA empresa move os fundos para o seu banco por conta própria
Cartões, rendimento, token ou app nativoNãoFora do alcance da V1
Tabela 2. Alcance da Soulbit V1 frente às necessidades habituais de um importador panamenho.

A leitura honesta para o Panamá tem um detalhe favorável. Como o país opera em dólares, a ausência de trilho bancário local pesa menos do que no México ou no Brasil: a empresa não precisa converter para outra moeda, apenas mover fundos entre o seu saldo e o seu banco. Essa etapa, ainda assim, é dela.

Quando esta rota não compensa

Vale encerrar com os casos em que a resposta é não.

Se o fornecedor não pode receber stablecoins, não há rota. Se a operação exige instrumentos bancários como carta de crédito, o trilho on-chain não os substitui e a operação segue pelo banco. Se o volume é uma compra pontual por ano, montar o procedimento e o dossiê provavelmente não compensa. E se a empresa não consegue sustentar duplo controle e verificação de contrapartes, resolva isso antes de trocar de trilho. O detalhe por país está no guia de pagamentos cripto no Panamá, e o caso análogo de compras desde o sul em pagar fornecedores internacionais em USDC desde o Chile.

Perguntas frequentes

O Panamá tem uma lei específica de ativos virtuais?

Nenhuma em vigor. O Projeto de Lei 697 de 2021, que regulava a comercialização e o uso de ativos virtuais e os seus prestadores de serviços, foi aprovado por insistência em terceiro debate em 28 de outubro de 2022 e depois declarado inconstitucional na íntegra pela Corte Suprema, em decisão publicada em 7 de setembro de 2023. Aplicam-se, portanto, as normas gerais.

Isso significa que usar stablecoins é proibido no Panamá?

Ausência de lei especial não é o mesmo que proibição. Significa que não existe regime específico e que a operação se rege pelo marco geral: normas societárias, aduaneiras, tributárias e de prevenção à lavagem de dinheiro. A empresa deve validar o seu caso concreto com assessoria jurídica panamenha.

Por que importa o Panamá ter saído do monitoramento intensificado do GAFI?

Porque muda o clima de compliance com que as contrapartes tratam uma empresa panamenha. No plenário de outubro de 2023, o GAFI deixou de submeter o Panamá a monitoramento intensificado. Isso não relaxa nenhuma obrigação da empresa, mas costuma reduzir o atrito documental diante de bancos e fornecedores do exterior.

O fornecedor precisa aceitar USDC para isso funcionar?

Sim, e convém confirmar antes de emitir a ordem de compra. Muitos fornecedores na Ásia e nos Estados Unidos já recebem stablecoins, mas não todos. Se o fornecedor não puder, aquele pagamento segue por transferência bancária e esta rota não se aplica à operação.

A Soulbit deposita em conta bancária panamenha?

Não. O único trilho bancário local da V1 é a Colômbia. Um importador panamenho mantém saldos em stablecoins como USDC e USDT e fiat em USD, EUR e GBP, e move fundos para o seu banco por conta própria. Em um país dolarizado essa etapa é mais simples, mas continua sendo responsabilidade da empresa.

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