Análise de mercado

Stablecoins na América Latina 2026: US$ 324 bi, +89%

324 bilhões de dólares em stablecoins circularam na América Latina em 2025, 89% mais que no ano anterior. Estes são os números e o que significam para um CFO.

Equipo Soulbit12 min de leitura
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Análise

Um CFO que avalia se vale a pena mover parte da tesouraria para stablecoins precisa de números, não de manchetes. Em 2025, o volume movimentado na América Latina chegou a 324 bilhões de dólares, com crescimento de 89% em relação ao ano anterior. Esse número isolado não diz nada sobre se faz sentido para uma empresa específica. O que importa é decompô-lo: quem movimenta, em quais países, a que custo comparado com a via bancária tradicional, e qual parcela desse volume uma PME consegue replicar hoje.

Na Soulbit Academy tratamos os números de mercado com a mesma disciplina que uma área financeira exigiria de qualquer fornecedor: cada dado com sua fonte, sua data e seu alcance real. Este artigo reúne os números de stablecoins na América Latina verificáveis até agosto de 2026, sem recorrer a relatórios de fornecedores ou concorrentes do setor, e traduz o que significam para uma decisão de tesouraria, com atenção especial ao peso que o Brasil tem nesse quadro regional.

324 bilhões de dólares é o número que tirou as stablecoins na América Latina da categoria de nicho

324 bilhões de dólares é o volume que a Digital Chamber atribui às transações com stablecoins na América Latina em 2025, 89% mais que em 2024. A fonte é um relatório publicado em junho de 2026 que agrega dados on-chain de toda a região, não uma projeção de marketing.

Esse número coloca as stablecoins numa categoria diferente de instrumento de nicho. Para contextualizar: o volume on-chain total de criptoativos na região cresceu 60% ao ano em 2025, segundo a mesma fonte, impulsionado majoritariamente pelas stablecoins. Ou seja, as stablecoins não apenas cresceram, cresceram mais rápido que o próprio mercado cripto que as contém.

MétricaNúmero no fim de 2025O que mede
Volume em stablecoins na América Latina324 bilhões USDTransações on-chain agregadas da região no ano
Crescimento anual do volume89%Comparação de 2025 com 2024
Instituições que já usam stablecoins em pagamentos internacionais71%A maior taxa de adoção institucional de qualquer região do mundo
Crescimento do volume B2B em dois anos30 vezesMultiplicação do volume movimentado entre empresas, não só entre pessoas
Tabela 1. Números chave da adoção de stablecoins na América Latina, fim de 2025 (fonte: Digital Chamber, junho de 2026).

Esse volume se concentra em duas stablecoins referenciadas ao dólar: USDT, emitida pela Tether, e USDC, emitida pela Circle.

Por que 2025 foi o ano em que esse número deixou de ser marginal?

Porque o crescimento de 89% não partiu de uma base pequena, daquelas em que qualquer variação relativa parece dramática. 324 bilhões de dólares já é um volume comparável ao de instrumentos financeiros tradicionais da região, e o ritmo de crescimento não deu sinais de desaceleração ao longo do ano. Para um CFO brasileiro, isso muda a pergunta de "isso é moda passageira" para "qual parcela da minha própria tesouraria já deveria considerar isso".

Os 71% institucionais: a adoção saiu do perfil de varejo

71% das instituições financeiras latino-americanas já usam stablecoins em pagamentos internacionais, segundo a Digital Chamber. É a maior taxa de adoção institucional de qualquer região do mundo, não só da América Latina.

Esse número importa mais que o volume bruto porque muda quem está por trás da demanda. Um mercado dominado por operadores de varejo e especuladores se comporta de forma diferente de um em que a maioria das instituições financeiras reguladas já incorporou o instrumento na operação diária. O segundo cenário implica infraestrutura de compliance, contrapartes conhecidas e menos volatilidade de comportamento do outro lado da transação.

O que muda para uma PME quando a adoção é institucional e não apenas de varejo?

Muda o nível de risco de contraparte ao qual a empresa se expõe. Se 71% das instituições da região já operam com stablecoins, é mais provável que um fornecedor, um cliente ou um banco correspondente com quem a empresa já trabalha também as use, o que reduz o atrito de encontrar uma contraparte disposta a liquidar nesse instrumento. Isso não elimina a necessidade de verificar o compliance de cada fornecedor específico de serviços de stablecoin, mas reduz a sensação de operar em terreno experimental.

O crescimento do volume B2B, especificamente entre empresas, multiplicou por 30 vezes nos últimos dois anos, segundo a mesma fonte. Esse dado acompanha os 71% institucionais: não é só que há mais instituições operando, é que há mais volume empresa a empresa circulando por essas mesmas instituições.

O Brasil concentra o maior peso absoluto do volume regional

No Brasil, mais de 90% de todos os fluxos cripto já correspondem a stablecoins, segundo a Digital Chamber. É a maior proporção de qualquer mercado da região, e não é acidental.

O motor aqui é a infraestrutura. O país já normalizou as transferências instantâneas dentro do seu sistema de pagamentos, e o salto para movimentar valor em dólares digitais se apoia naturalmente sobre essa base técnica e cultural já consolidada. A isso soma-se um marco regulatório específico: o Banco Central do Brasil publicou em novembro de 2025 as Resoluções 519, 520 e 521, que entram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, com o reporte obrigatório começando em 4 de maio de 2026. A Resolução 520 define a constituição, o funcionamento e as três modalidades de prestador de serviços com ativos virtuais.

Na Argentina, mais de 60% dos fluxos cripto são stablecoins, mas o motor ali é cambial, não de infraestrutura de pagamentos: uma moeda local com inflação persistente empurra empresas e pessoas a preservar valor em um ativo referenciado ao dólar sem precisar abrir conta bancária no exterior.

O que essa diferença de motores significa para uma empresa brasileira que avalia stablecoins?

Significa que a maturidade regulatória do Brasil, combinada com a infraestrutura de pagamentos já madura, dá a uma empresa brasileira uma base mais sólida para operar do que a de mercados vizinhos que ainda avançam de forma mais gradual, empurrados pelo comércio exterior. Isso não elimina a necessidade de verificar cada fornecedor, mas reduz a incerteza regulatória em comparação com jurisdições sem marco específico ainda publicado. Você pode se aprofundar no panorama regulatório de criptoativos na América Latina e na análise dedicada à resolução do Banco Central do Brasil.

O que esses números significam frente ao custo bancário tradicional

O pagamento internacional pela via bancária tradicional custou em média 6,36% do valor enviado no terceiro trimestre de 2025, segundo o Banco Mundial, e essa é a alternativa contra a qual o crescimento das stablecoins precisa ser medido.

O Banco Mundial, em seu relatório trimestral Remittance Prices Worldwide, mediu um custo médio global de 6,36% no terceiro trimestre de 2025, com o canal bancário como o mais caro, em 14,99% do valor enviado. O canal digital médio caiu para 4,59%, e o cartão de débito chegou a ser o instrumento mais barato para receber, em 3,61%.

Canal de pagamento internacionalCusto médioFonte
Banco (canal mais caro)14,99%Banco Mundial, Remittance Prices Worldwide, T3 2025
Média global, todos os canais6,36%Banco Mundial, Remittance Prices Worldwide, T3 2025
Canal digital médio4,59%Banco Mundial, Remittance Prices Worldwide, T3 2025
Cartão de débito (canal mais barato para receber)3,61%Banco Mundial, Remittance Prices Worldwide, T3 2025
Redes de stablecoin, corredor Estados Unidos-MéxicoMenos de 1%Digital Chamber, junho de 2026
Tabela 2. Custo médio de um pagamento internacional por canal, terceiro trimestre de 2025.

Com base nesses mesmos dados, a Digital Chamber calculou que, se os 142 bilhões de dólares enviados dos Estados Unidos para a América Latina em 2025 tivessem viajado por redes de stablecoin em vez de intermediários tradicionais, a economia potencial teria girado em torno de 8,9 bilhões de dólares.

Essa economia se aplica igualmente a qualquer empresa que paga ou recebe do exterior?

Não automaticamente. O número do Banco Mundial mede remessas, não necessariamente pagamentos comerciais B2B, e o custo real que uma empresa enfrenta depende do fornecedor, do corredor específico e do volume movimentado. O que se aplica é a lógica: um canal bancário que cobra perto de 15% frente a uma alternativa que opera abaixo de 1% em corredores específicos é uma diferença de margem que uma área financeira não pode ignorar, mesmo que a economia exata varie caso a caso. Você pode ver o mesmo cálculo aplicado a outro rail tradicional em nosso artigo sobre quanto custa uma transferência SWIFT em 2026.

O que o V1 da Soulbit entrega hoje sobre as stablecoins na América Latina, e o que não entrega

A Soulbit V1 permite hoje manter saldo em USDC e USDT e receber com links de pagamento e QR, mas estes números de mercado não são um catálogo do que a plataforma entrega. Vale separar as duas coisas com a mesma disciplina.

Hoje, a Soulbit permite a uma empresa manter saldo em USDC e USDT, além de fiat em USD, EUR e GBP, receber por meio de payment links e códigos QR, fazer folha de pagamento recorrente ou em lote, solicitar uma cotação OTC sob demanda para converter entre stablecoin e moeda local, e operar com um rail bancário local na Colômbia, respaldado por processos de KYB e controles de AML e KYT sobre cada contraparte.

O que o V1 não entrega, e que nenhum número de crescimento de mercado deve fazer parecer disponível, é rendimento ou APY sobre o saldo mantido, cartão físico ou virtual, token próprio da plataforma, ou um aplicativo nativo disponível para download nas lojas. Se uma empresa lê que o volume regional cresceu 89% e espera encontrar todas essas peças em qualquer fornecedor da categoria, vai se decepcionar. O número descreve o mercado; não descreve o que cada fornecedor específico, incluindo a Soulbit, já entrega hoje.

Como ler esses números antes de tomar uma decisão de tesouraria

Um CFO que avalia a tesouraria da sua empresa tem hoje cinco números verificados sobre stablecoins na América Latina: o volume regional, seu crescimento, a adoção institucional, o multiplicador B2B e a diferença de custo frente ao sistema bancário. A pergunta final é como usá-los sem superinterpretá-los.

Primeiro, nenhum desses números é uma promessa de rendimento: descrevem adoção e custo, não retorno de um investimento. Segundo, são números regionais agregados, e o comportamento do Brasil ou da Argentina não prevê automaticamente o de outros mercados vizinhos. Terceiro, todos têm data: são números de 2025, com os dados do Banco Mundial referentes especificamente ao terceiro trimestre daquele ano, e devem ser revisados trimestre a trimestre, não tratados como constante. Quarto, os 71% de adoção institucional reduzem o risco de operar em terreno desconhecido, mas não substituem a verificação individual do compliance e da jurisdição de cada fornecedor.

Os números de stablecoins na América Latina já não descrevem um experimento. Descrevem um mercado com volume real, adoção institucional majoritária e uma diferença de custo mensurável frente à via bancária tradicional. O que cabe a uma área financeira não é reagir à manchete, mas decidir, com esses números datados e suas fontes à vista, se o fluxo internacional específico da sua empresa se beneficia de migrar para essa via. Você pode complementar esta leitura com nossa análise da adoção B2B de stablecoins na América Latina ou com a comparação direta entre SWIFT e stablecoin para pagamentos internacionais.

Perguntas frequentes

Quanto volume as stablecoins movimentaram na América Latina em 2025?

Segundo a Digital Chamber, a região movimentou 324 bilhões de dólares em transações com stablecoins em 2025, 89% mais que em 2024. Esse é o número de referência para medir a escala real do fenômeno, não uma projeção de marketing.

O que significa que 71% das instituições latino-americanas já usam stablecoins?

Significa que o uso deixou de ser apenas de varejo ou especulativo. Bancos, fintechs e outras instituições financeiras da região já incorporam stablecoins em seus pagamentos internacionais. Segundo o mesmo relatório, é a maior taxa de adoção institucional de qualquer região do mundo, não só da América Latina.

Por que o Brasil concentra tanto volume de stablecoins na região?

No Brasil, mais de 90% dos fluxos cripto já são em stablecoins, apoiados em um sistema de pagamentos instantâneos já maduro e em um marco regulatório específico do Banco Central do Brasil que entra em vigor por etapas entre fevereiro e maio de 2026. É a base técnica e jurídica que sustenta o maior volume absoluto da região.

Quanto custa hoje um pagamento internacional tradicional comparado a um em stablecoin?

O Banco Mundial mediu um custo médio global de 6,36% no terceiro trimestre de 2025, chegando a 14,99% quando o pagamento passa pelo canal bancário. A Digital Chamber estima que as redes de stablecoin reduzem o custo de um corredor específico, Estados Unidos-México, para menos de 1%. A diferença não é simbólica para uma empresa que paga ou recebe do exterior todos os meses.

O que uma empresa brasileira pode fazer hoje com esses números e com o V1 da Soulbit?

A Soulbit permite hoje manter saldo em USDC e USDT, receber com payment links e QR code, fazer folha de pagamento recorrente ou em lote e solicitar uma cotação OTC sob demanda para converter entre stablecoin e moeda local. Não oferece rendimento sobre o saldo nem cartão físico, então trate os números deste artigo como dimensionamento de mercado, não como promessa de retorno.

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