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Pix Automático: como cobrar pagamentos recorrentes de empresas no Brasil

Pix Automático é a modalidade de Pix que permite cobrar um cliente de forma recorrente com uma única autorização prévia, sem repetir boleto ou QR Code a cada ciclo.

Erika Sandoval
Erika Sandoval11 min de leitura
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O Pix Automático foi desenhado pelo Banco Central para resolver um atrito que toda empresa que fatura por assinatura ou mensalidade no Brasil conhece bem: gerar um boleto, enviar o QR Code ou esperar que o cliente lembre de pagar, e só depois conciliar o que entrou. A modalidade propõe outro caminho: cobrança recorrente dentro do Pix, com autorização prévia do pagador e sem repetir o pedido de pagamento a cada ciclo.

Na Soulbit Academy, este artigo explica como funciona o Pix Automático na prática: as jornadas de autorização, quem pode oferecê-lo, como se programa e se cancela uma cobrança, e em que ele se diferencia do débito automático, do boleto e do Pix Agendado. O recorte é o da tesouraria que cobra, não o do consumidor final.

O que é o Pix Automático e para que serve a uma empresa que cobra no Brasil

Pix Automático é a modalidade de Pix que permite ao usuário pagador conceder, uma única vez, autorização para que um recebedor determinado inicie cobranças recorrentes em sua conta, sem confirmação manual em cada ciclo. O Banco Central colocou a modalidade em funcionamento em 16 de junho de 2025, segundo o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025.

A base normativa do Pix Automático está no Regulamento do Pix e nos guias técnicos publicados pelo Banco Central, que descrevem o arranjo como uma extensão do Pix comum, operada pelos mesmos participantes e pela mesma infraestrutura, mas com um objeto de permissão que fica registrado entre pagador e recebedor.

Para uma empresa que fatura serviços recorrentes (assinatura de software, mensalidade de um clube, condomínio, plano de saúde), o Pix Automático resolve três problemas de uma vez: elimina o boleto gerado a cada ciclo, reduz a inadimplência por esquecimento e dá à empresa um canal próprio para iniciar a cobrança dentro do prazo acordado, sem depender de o cliente lembrar de pagar.

Como funciona a autorização: as três jornadas do Pix Automático

O Pix Automático define três jornadas de autorização, segundo o guia de implementação do Banco Central. A primeira é a jornada sem QR Code, em que o pagador escolhe o Pix Automático diretamente na relação comercial com o recebedor (por exemplo, ao assinar um serviço num site) e depois recebe uma notificação no aplicativo do seu banco para confirmar a recorrência. A segunda é a jornada com QR Code de recorrência, em que o pagador lê um código que já contém os dados da permissão solicitada e autoriza a partir dali. A terceira é a jornada de comando único, em que a autorização e o primeiro pagamento acontecem no mesmo gesto, e a operação só se completa se ambos os processos tiverem êxito.

As três jornadas têm o mesmo resultado para a empresa que cobra: uma autorização ativa, vinculada a um objeto de cobrança específico, que permite iniciar débitos futuros sem pedir uma nova confirmação a cada vencimento. O que muda é a experiência do pagador no momento de autorizar, não o que a empresa recebe depois.

Quem decide qual jornada usar?

Quem escolhe a jornada é o recebedor, de acordo com o canal em que a autorização é solicitada. Uma jornada sem QR Code costuma caber num fluxo de assinatura iniciado no próprio site ou aplicativo da empresa, enquanto a jornada com QR Code serve melhor cobranças apresentadas de forma presencial ou por um canal físico.

Quem pode oferecer Pix Automático: obrigação do PSP pagador e opção do recebedor

Oferecer o Pix Automático como recebedor é facultativo para cada instituição participante do Pix, e por isso nem todo banco já o implementou. Essa é a pergunta prática que uma empresa deve responder antes de anunciá-lo aos clientes. A oferta como PSP pagador, ou seja, do lado de quem paga, é obrigatória para toda instituição participante do Pix que mantém conta transacional de pessoa física. Já a atuação como PSP recebedor, do lado de quem cobra, é facultativa para cada instituição.

Isso significa que o cliente que paga provavelmente já tem acesso ao Pix Automático pelo seu próprio banco, mas a empresa que quer cobrar depende de que o seu banco ou instituição de pagamento já tenha implementado o papel de recebedor, conforme detalha o FAQ técnico do Banco Central para participantes do Pix Automático. A tabela abaixo organiza essa divisão de responsabilidade.

PapelObrigação segundo o regulamento do BCBO que isso implica para quem cobra
PSP do pagador (banco do cliente que paga)Obrigatório oferecer a clientes pessoa física com conta transacionalO cliente final provavelmente já tem a opção disponível no seu banco
PSP do recebedor (banco da empresa que cobra)Facultativo para cada instituiçãoA empresa deve confirmar com o seu banco se ele já atua como recebedor antes de divulgar o Pix Automático
Tarifa ao usuário pagadorVedada pelo regulamentoA empresa não pode repassar um custo ao cliente por usar o Pix Automático
Tarifa ao recebedorA critério de cada instituiçãoPedir a tabela de tarifas ao banco antes de adotar o Pix Automático como canal principal de cobrança
Tabela 1. Quem é obrigado a oferecer cada papel do Pix Automático, segundo o regulamento do Banco Central.

Como programar, alterar e cancelar uma cobrança recorrente no Pix Automático

Programar uma cobrança no Pix Automático exige primeiro a autorização do cliente, concedida por qualquer uma das três jornadas; a partir dela a empresa recebedora pode iniciar pagamentos dentro dos limites e da periodicidade acordados no objeto de permissão. Alterar o valor ou a data de uma cobrança específica depende de como o recebedor desenhou sua integração: algumas mudanças exigem nova autorização, outras ficam dentro do que já foi permitido.

O cancelamento segue uma regra simples e sempre a favor do pagador: quem cancela a autorização é o usuário pagador, a qualquer momento, pelo aplicativo do seu banco. O cancelamento da autorização extingue automaticamente a recorrência vinculada a ela, e o inverso também vale. A única exceção é um agendamento que já esteja em processo de liquidação no mesmo dia do cancelamento, que é mantido até o fim.

Quem pode cancelar um Pix Automático?

Apenas o pagador cancela a autorização que concedeu. O recebedor pode solicitar o encerramento da cobrança do seu lado (por exemplo, ao cancelar um plano), mas não tem como forçar a continuidade de uma autorização que o pagador já extinguiu. Para a empresa, isso significa tratar o cancelamento como um evento que pode ocorrer sem aviso prévio e desenhar o fluxo de conciliação para reconhecê-lo rapidamente.

Pix Automático, débito automático, boleto e Pix Agendado: as diferenças que importam para o CFO

Pix Automático, débito automático, boleto e Pix Agendado resolvem o mesmo problema de fundo (cobrar de forma repetida ou programada) por mecanismos diferentes, com consequências distintas de cancelamento, velocidade e custo. Conhecer essas diferenças evita prometer ao cliente uma experiência que o mecanismo escolhido não entrega.

MecanismoComo se autorizaQuem cancela e comoQuando faz sentido
Pix AutomáticoAutorização prévia única, por uma das três jornadas do PixO pagador, a qualquer momento, pelo app do seu bancoAssinaturas e faturas recorrentes em reais dentro do Brasil
Débito automático bancárioAutorização assinada diretamente com o banco do pagador, fora do arranjo PixO pagador, junto ao seu bancoContas de consumo com histórico já consolidado (energia, água, telefonia)
Boleto bancárioNão há autorização prévia; cada boleto é um documento de cobrança independenteNão se cancela uma recorrência porque ela não existe; cada boleto expira por siCobranças avulsas ou clientes sem Pix Automático disponível
Pix AgendadoO próprio pagador programa manualmente um pagamento único para uma data futuraO pagador, antes da data programada, pelo app do seu bancoPagamentos pontuais sem relação de assinatura
Tabela 2. Pix Automático comparado a débito automático, boleto e Pix Agendado para quem cobra uma empresa no Brasil.

A diferença mais relevante para quem cobra é a iniciativa: no Pix Automático e no débito automático, a empresa inicia o débito dentro do que foi autorizado; no boleto e no Pix Agendado, a iniciativa de pagar continua com o cliente a cada ciclo, o que abre espaço para esquecimento e atraso.

Quanto custa: a regra de tarifa que protege o pagador

É vedada a cobrança de tarifa do usuário pagador pelo uso do Pix Automático, segundo o regulamento do Banco Central. Essa regra existe para que a modalidade não se torne mais cara para o consumidor do que outras formas de pagamento do Pix, e qualquer instituição que tentasse cobrar do pagador estaria descumprindo o arranjo.

A empresa que recebe paga alguma tarifa?

Sim, pode pagar. O PSP recebedor, isto é, o banco ou a instituição de pagamento da empresa que cobra, pode cobrar tarifa dela pela prestação do serviço, a seu critério. Isso faz da tarifa um dado contratual que varia de instituição para instituição, e não um valor fixado pelo Banco Central. Antes de desenhar o preço de uma assinatura, a tesouraria deve pedir essa tabela ao seu banco.

O que a Soulbit entrega hoje e o que o Pix Automático não resolve para quem fatura fora do Brasil

A Soulbit não opera sobre o Pix. O único rail bancário local que a Soulbit mantém hoje é na Colômbia, e o Pix Automático é uma infraestrutura pública do Banco Central do Brasil, não um serviço que a Soulbit ofereça ou substitua. Isso importa porque o Pix Automático resolve bem um problema específico: cobrança recorrente em reais, de um pagador que tem conta num banco brasileiro, para um recebedor também estabelecido no Brasil.

Fora desse cenário, o Pix Automático simplesmente não se aplica. Uma empresa brasileira que fatura um cliente no exterior, ou que prefere manter parte do seu caixa em dólar digital em vez de reais, enfrenta um problema diferente: cobrança recorrente transfronteiriça, em outra moeda. É aí que entra o V1 real da Soulbit: a empresa reemite um link de pagamento ou um QR Code de cobrança a cada ciclo, e o cliente paga em USDC ou USDT a cada vez. É uma cobrança recorrente instrumentada, não um débito automático: não há autorização prévia nem cargo iniciado sem ação do pagador, e o modelo não compete com o Pix Automático porque não serve para cobrar em reais dentro do Brasil. O guia de cobrança recorrente B2B detalha esse mecanismo e seus limites.

Para a empresa que precisa das duas pontas (cobrar em reais localmente e também de clientes ou filiais fora do Brasil), vale separar os canais: o Pix Automático para o fluxo doméstico recorrente, e um canal em stablecoin para o fluxo internacional. O artigo sobre câmbio para empresas no Brasil explica como esse segundo fluxo se encaixa na tesouraria, e o panorama de pagamentos instantâneos na América Latina compara o Pix com outros sistemas da região, como o SPEI mexicano e o Bre-B colombiano. Mudanças recentes na forma como o Brasil trata pagamentos internacionais, incluindo a Resolução BCB 561, também afetam esse segundo fluxo e merecem acompanhamento à parte.

Perguntas frequentes

O que é o Pix Automático?

Pix Automático é a modalidade do Pix que permite ao usuário pagador autorizar uma única vez que um recebedor inicie cobranças recorrentes em sua conta, sem precisar confirmar cada pagamento manualmente. O Banco Central o lançou ao público em 16 de junho de 2025 e ele substitui, para quem adota, o ciclo de gerar e pagar um boleto todo mês.

Como uma empresa cancela um Pix Automático?

Quem cancela a autorização é sempre o usuário pagador, a qualquer momento, pelo aplicativo do seu banco ou instituição de pagamento. O cancelamento é imediato e extingue a recorrência associada, exceto por um agendamento já em liquidação no mesmo dia, que é mantido.

O Pix Automático cobra tarifa do cliente que paga?

Não. É vedada a cobrança de tarifa do usuário pagador pelo uso do Pix Automático. O PSP do recebedor, ou seja, o banco ou a instituição de pagamento da empresa que cobra, pode cobrar tarifa da própria empresa a seu critério, conforme a tabela de cada instituição.

Qual a diferença entre Pix Automático e Pix Agendado?

O Pix Agendado é um pagamento único que o próprio pagador programa para uma data futura, sem autorização recorrente nem vínculo com um recebedor específico. O Pix Automático exige uma autorização prévia do pagador a um recebedor determinado e sustenta cobranças repetidas enquanto essa autorização estiver ativa.

Toda empresa que recebe pagamentos no Brasil pode oferecer Pix Automático aos seus clientes?

Depende do banco ou instituição de pagamento da empresa. A participação como PSP pagador é obrigatória para quem oferece conta transacional, mas a participação como PSP recebedor é facultativa para cada instituição. Uma empresa deve confirmar com seu banco se ele já atua como recebedor de Pix Automático antes de divulgar essa opção aos clientes.

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