Análise de mercado

Drex: o que é e como funciona a moeda digital do BC

Drex é o projeto de moeda digital do Banco Central do Brasil, ainda em fase de teste, sem data de lançamento público confirmada.

Equipo Soulbit11 min de leitura
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Análise

Um CFO brasileiro ouve falar de Drex há anos e ainda não sabe responder a uma pergunta simples: dá para usar isso na empresa hoje. A resposta curta é não, e a resposta longa explica por quê, o que já foi decidido, o que mudou em novembro de 2025 e o que fazer enquanto o projeto não sai do laboratório do Banco Central.

Na Soulbit Academy tratamos moeda digital de banco central com a mesma disciplina que tratamos regulação de stablecoin: cada afirmação com sua fonte e sua data, e nenhuma promessa de calendário que a fonte oficial não sustente. Este artigo separa o que é o Drex, em que fase está, no que ele difere do Pix e de uma stablecoin, e o que uma empresa deveria, ou não deveria, fazer a respeito agora.

Drex é o quê: a definição direta

Drex é o nome público do projeto de moeda digital de banco central do Brasil, conduzido pelo Banco Central desde 2020 sob o rótulo técnico de Real Digital. O nome Drex foi adotado em agosto de 2023, formado por quatro letras que resumem a proposta: D de digital, R de real, E de eletrônico e X de transação e de tecnologia.

O projeto nunca foi pensado como uma carteira de dinheiro físico digitalizado que qualquer pessoa baixa no celular. Seu desenho original, descrito na página oficial do projeto Drex do Banco Central, é o de uma plataforma de liquidação para depósitos tokenizados dos bancos, com o Banco Central fornecendo a camada de reserva e as instituições financeiras emitindo, sobre essa base, representações digitais dos reais que seus clientes já têm em conta. A promessa técnica é permitir contratos programáveis e liquidação simultânea de ativo e pagamento, o que hoje depende de processos manuais e de vários intermediários.

Até agosto de 2026, isso segue sendo desenho e teste. Não existe conta Drex, aplicativo Drex nem saldo Drex disponível para uma empresa ou pessoa física fora do ambiente controlado do piloto.

Em que fase está o Drex em agosto de 2026

Em agosto de 2026, o Drex concluiu a fase 1 do piloto e teve a fase 2 interrompida: o Banco Central do Brasil desligou em novembro de 2025 a plataforma testada durante quatro anos.

O piloto teve uma primeira fase concluída, com relatório oficial publicado pelo próprio Banco Central, testando casos de uso como operações de crédito com garantia e compra e venda de títulos públicos entre um grupo selecionado de instituições financeiras. Uma segunda fase avançou sobre uma infraestrutura própria, construída em blockchain permissionada.

Em novembro de 2025 esse desenho técnico foi interrompido. Segundo reportagem especializada da Exame sobre o desligamento da plataforma, publicada em 4 de novembro de 2025 e não desmentida publicamente pelo Banco Central até o fechamento deste artigo, a autarquia comunicou aos consórcios participantes que a plataforma usada nas fases um e dois seria desligada. O motivo declarado foi técnico: depois de quatro anos de testes, a infraestrutura não atendia aos requisitos de privacidade e de escala exigidos para operações financeiras de grande volume.

Por que o Banco Central desligou a plataforma do Drex?

Porque a arquitetura testada não passou no próprio critério que o Banco Central definiu para ela. A decisão anunciada foi recomeçar a construção da infraestrutura definindo primeiro os casos de uso prioritários, entre eles a tokenização de ativos usados como garantia de crédito, para só depois escolher a tecnologia. Já em agosto de 2025 o Banco Central havia sinalizado que reduziria o uso de blockchain na próxima fase, o que essas reportagens confirmam.

O relatório da segunda fase do piloto, esperado inicialmente para outubro de 2025, ainda não foi publicado por completo e passou a ser esperado apenas no início de 2026. Não há, até agosto de 2026, comunicado oficial do Banco Central com data de lançamento público do Drex. Qualquer calendário anterior a novembro de 2025, incluindo declarações sobre um uso interno restrito a bancos, cartórios e corretoras ainda em 2026, deve ser lido como superado pela revisão de infraestrutura, não como vigente.

Drex não é Pix: a diferença que muda tudo

Pix move dinheiro que já existe. Drex discute o que o dinheiro é.

O Pix é um sistema de pagamento instantâneo, em operação desde 2020, que transfere em segundos reais que já estão depositados em contas de bancos e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central. Ele não cria uma forma nova de moeda, apenas move a que já existe de um jeito mais rápido e mais barato que a transferência tradicional.

Drex propõe algo diferente: uma representação digital do real, com liquidação programável e potencial para movimentar ativos tokenizados, como imóveis, títulos ou recebíveis, no mesmo instante em que o pagamento é confirmado. É uma discussão sobre a natureza do dinheiro e sobre como liquidar operações complexas, não sobre a velocidade de uma transferência simples.

Drex vai substituir o Pix?

Não, ao menos não no desenho conhecido até agora. O próprio Banco Central tratou os dois projetos como complementares em suas apresentações públicas: o Pix resolve pagamento, o Drex mira liquidação de ativos e programabilidade. Uma empresa que hoje recebe e paga por Pix não tem motivo para esperar nenhuma mudança nesse fluxo por causa do Drex.

Drex não é uma stablecoin: a diferença que interessa à sua tesouraria

O Drex não é uma stablecoin: a diferença em relação a USDC ou USDT está no emissor e na natureza jurídica, não em um detalhe técnico. A confusão mais comum é tratá-lo como se fosse uma stablecoin brasileira.

Uma stablecoin como USDC, emitida pela empresa Circle, ou USDT, emitida pela empresa Tether, é um passivo privado: uma empresa mantém reservas e se compromete a resgatar o token pelo valor de referência, geralmente o dólar. Drex, se avançar como projetado, seria dinheiro de banco central, com a mesma natureza jurídica do real em espécie, apenas emitido de forma digital sobre uma plataforma tokenizada.

Essa diferença de emissor tem uma consequência prática imediata: USDC e USDT já circulam hoje, com regras específicas para quem presta serviços com eles no Brasil desde que entrou em vigor o marco de ativos virtuais do Banco Central. Drex ainda não circula fora do ambiente de teste. Uma empresa que precisa mover valor entre países hoje conta com um instrumento operacional, e outro que segue em fase de projeto.

InstrumentoQuem emiteEstá disponível para empresas hoje
PixSistema do Banco Central, move reais de contas bancáriasSim, desde 2020
DrexProjeto do Banco Central, ainda em teste internoNão, sem data de lançamento público
USDC e USDTEmpresas privadas (Circle e Tether), referenciadas ao dólarSim, sob o marco de ativos virtuais do Banco Central
Real em conta bancáriaBancos comerciais autorizadosSim, é o dinheiro que já circula
Tabela 1. Drex comparado com Pix, stablecoins em dólar e o real bancário tradicional, agosto de 2026.

Por que essa diferença importa para quem paga fornecedor no exterior?

Porque Drex, mesmo se avançar, nasceu com foco em operações domésticas de crédito e liquidação de ativos, não em pagamento internacional. Uma empresa que precisa pagar um fornecedor fora do Brasil hoje já resolve isso com trilhos existentes, entre eles stablecoins referenciadas ao dólar, sem depender de um projeto que ainda não tem data de conclusão. O marco que rege quem pode prestar esse tipo de serviço no Brasil está detalhado na nossa análise da regulação de stablecoins do Banco Central.

O calendário do Drex: o que já aconteceu e o que ainda não tem data

O Drex não tem data pública de lançamento confirmada em agosto de 2026. Separar fato de expectativa evita planejar sobre uma data que ninguém confirmou.

MarcoO que se sabe até agosto de 2026Confirmado onde
Nome do projeto adotadoAgosto de 2023, substituindo o rótulo técnico Real DigitalComunicação pública do Banco Central
Fase 1 do pilotoConcluída, com relatório publicado pelo Banco CentralPágina oficial do projeto Drex
Fase 2 do pilotoPlataforma baseada em blockchain permissionada, desligada em 10 de novembro de 2025Reportagens especializadas, não desmentidas pelo BC
Relatório da Fase 2Esperado para o início de 2026, ainda sem publicação integral confirmadaReportagens especializadas
Nova infraestrutura e Fase 3Em definição, priorizando casos de uso antes da tecnologiaReportagens especializadas
Data de lançamento públicoNão definidaNenhuma fonte oficial até agosto de 2026
Tabela 2. Linha do tempo do Drex com o grau de confirmação de cada marco, conforme disponível em agosto de 2026.

Vale registrar uma ressalva de método. O Banco Central não respondeu publicamente, até o fechamento deste artigo, às perguntas da imprensa especializada sobre os detalhes do desligamento da plataforma. Os fatos aqui descritos vêm de múltiplas publicações especializadas em pagamentos que convergem no mesmo relato, não de um comunicado oficial único. Trate o calendário como aberto, não como fechado.

O que muda, e o que não muda, para sua empresa hoje

Nada muda operacionalmente hoje, porque não existe produto Drex para operar. O que muda é o que vale a pena acompanhar e o que não vale a pena esperar.

Minha empresa deve se preparar para operar com Drex agora?

Não há o que preparar tecnicamente, porque não existe uma interface, uma conta ou uma API de Drex disponível para uma empresa comum. O que existe é uma tese de longo prazo sobre tokenização de ativos que pode, no futuro, mudar como se liquidam operações de crédito e de investimento no Brasil.

O que uma empresa deveria fazer hoje é resolver o problema real que já tem: pagar e receber, dentro e fora do Brasil, com o que está disponível agora. Para pagamento doméstico, isso é Pix e transferência bancária. Para fluxo internacional, entre eles pagar prestadores de serviço no exterior ou receber de clientes fora do Brasil, empresas já usam stablecoins referenciadas ao dólar como USDC e USDT, sob o marco regulatório que passou a valer em 2026. O detalhe operacional está em pagar prestadores de serviços internacionais em USDC a partir do Brasil e em USDC vs USDT para empresas, incluindo a diferença entre stablecoin e criptomoeda explicada em o que separa uma stablecoin de uma criptomoeda comum.

O contexto regional também ajuda a calibrar expectativa. O volume de stablecoins movimentado na América Latina já soma centenas de bilhões de dólares por ano, segundo dados reunidos em nosso panorama de números das stablecoins na América Latina em 2026, enquanto nenhuma moeda digital de banco central da região tem uso comercial ativo. A distância entre projeto e produto, no caso do Drex, não é exceção brasileira, é o estágio em que está toda a categoria de CBDC no mundo.

O que a Soulbit V1 entrega hoje para uma empresa brasileira

A Soulbit não é emissora de moeda digital de banco central, não opera com Drex e não está autorizada nem registrada como prestadora de serviços de ativos virtuais no Brasil. Isso precisa ficar dito de forma direta antes de qualquer outra frase.

O que a V1 entrega hoje é um trilho de pagamentos e tesouraria B2B: saldo em stablecoins USDC e USDT, fiat limitado a USD, EUR e GBP, verificação de empresa por KYB, folha de pagamento recorrente e por lote, payment links e QR de cobrança, cotação OTC sob demanda para converter entre stablecoin e moeda local, custódia institucional e monitoramento contínuo de AML e KYT. O trilho bancário local existe hoje apenas na Colômbia. Não há trilho em reais nem integração com Drex ou com Pix.

Isso significa que uma empresa brasileira, ou uma empresa latino-americana que fatura ou paga fornecedores no Brasil, pode usar a Soulbit para o lado em dólares de uma operação, como manter saldo em USDC ou USDT e documentar cada transação com rastro on-chain, mas continua dependendo de um prestador autorizado localmente para a conversão final em reais. Veja o alcance completo em o que é a Soulbit e como funciona. Não há cartão, rendimento, token próprio ou aplicativo nativo na V1, nem qualquer conexão com o Drex, que segue sendo um projeto do Banco Central, não um produto de mercado.

O Drex pode, um dia, mudar como o crédito e os ativos se liquidam no Brasil. Até que isso aconteça, a decisão de tesouraria de uma empresa não deveria depender de um calendário que o próprio Banco Central ainda não fechou.

Perguntas frequentes

Drex já está disponível para uso no Brasil?

Não. Em agosto de 2026 o Drex continua em fase de teste dentro do Banco Central do Brasil, sem lançamento público confirmado. O projeto passou por uma revisão de infraestrutura anunciada em novembro de 2025, e a nova fase ainda não tem data de conclusão nem de abertura ao público.

Qual é a diferença entre Drex e Pix?

Pix é um sistema de pagamento instantâneo que movimenta reais que já existem em contas de bancos e instituições de pagamento, em operação desde 2020. Drex é um projeto de forma digital de moeda, ainda em teste, pensado para permitir a tokenização de ativos e a liquidação automática de operações. Um movimenta o dinheiro que já existe, o outro discute o que o dinheiro é.

Drex é uma stablecoin do governo brasileiro?

Não. Uma stablecoin como USDC ou USDT é emitida por uma empresa privada e referenciada a uma moeda fiduciária, normalmente o dólar. Drex, se avançar, seria emitido pelo próprio Banco Central do Brasil, com natureza jurídica de dinheiro de banco central. O emissor e o regime de cada instrumento são diferentes, mesmo que os dois circulem de forma digital.

Por que o Banco Central desligou a plataforma do piloto do Drex?

Segundo reportagens especializadas de novembro de 2025, não desmentidas publicamente pelo Banco Central, a autarquia concluiu que a infraestrutura testada nos últimos quatro anos, baseada em blockchain permissionada, não atendia aos requisitos de privacidade e de escala necessários para operações financeiras. A decisão foi construir uma nova infraestrutura, definindo primeiro os casos de uso antes de escolher a tecnologia.

A Soulbit opera com Drex ou tem conta bancária local no Brasil?

Não. A Soulbit não é emissora de moeda digital de banco central nem opera com Drex, que ainda é um projeto em teste, sem produto disponível para nenhuma empresa. Sua V1 é um trilho de pagamentos e tesouraria B2B com USDC e USDT, saldos em USD, EUR e GBP, e trilho bancário local apenas na Colômbia. O Brasil ainda não tem trilho local ativo.

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