Licença-maternidade na Colômbia: o que a empresa paga e o que a EPS reconhece
A licença-maternidade na Colômbia dura 18 semanas e quem a financia é a EPS, o plano de saúde do sistema local, mas o empregador costuma adiantar o salário e cobrir a vaga. Este guia mostra o que a EPS reconhece, como funciona a estabilidade e como planejar o caixa.
Quando uma funcionária na Colômbia anuncia a gravidez, a empresa brasileira com equipe local enfrenta três perguntas ao mesmo tempo: quanto dura a ausência, quanto sai do próprio caixa e o que será recuperado depois do sistema de saúde. Uma quarta costuma ser esquecida, a de quem cobre a vaga e quando um contrato pode ser encerrado no período protegido.
Na Soulbit Academy analisamos a licença-maternidade pelo lado do empregador: as semanas em vigor em 2026, quem paga, o que a EPS exige, o que a estabilidade protege e como isso aparece no fluxo de caixa. É o artigo vizinho da licença-paternidade na Colômbia, cuja mecânica de reembolso resumimos aqui em vez de repetir.
Licença-maternidade na Colômbia: 18 semanas e o que elas incluem
A licença-maternidade na Colômbia dura 18 semanas remuneradas, pagas com o salário que a funcionária recebe ao iniciar a licença. A base legal é o artigo 236 do Código Substantivo do Trabalho, alterado pela Lei 1822 de 2017. Não identificamos ampliação posterior, de modo que as 18 semanas valem também em 2026.
A lei trata de quatro situações que a folha deve distinguir. A primeira é a licença pré-parto: a semana anterior ao parto provável é de gozo obrigatório, salvo se o médico assistente prescrever outra coisa. A segunda é a semana adicional prévia por razão médica, que permite duas semanas antes do parto e 16 depois. A terceira é o parto prematuro, em que se soma às 18 semanas a diferença entre a idade gestacional e o nascimento a termo. A quarta é o parto múltiplo, que amplia a licença em duas semanas.
Para prematuros e partos múltiplos, a lei exige um atestado do médico assistente que identifique a diferença entre a idade gestacional e o termo, anexo à certidão de nascido vivo. O empregador deve arquivá-lo com o atestado de licença, porque dele depende quantas semanas são pagas.
A reforma trabalhista de 2025 mudou as semanas da licença-maternidade?
Não identificamos que a Lei 2466 de 2025 altere a duração da licença-maternidade. A reforma tratou de jornada, adicionais e contratos, não do regime das 18 semanas. Se sua empresa já aplicou essas mudanças, revise o restante na lista de verificação da reforma trabalhista para o empregador.
Quem paga a licença-maternidade na Colômbia: a EPS reconhece e a empresa adianta
A licença-maternidade é reconhecida pela EPS como prestação econômica do sistema de saúde, e o empregador não a paga do próprio orçamento. A empresa mantém, porém, o vínculo e o calendário da folha, e por isso normalmente continua pagando o salário e depois pede o reembolso à EPS.
A mecânica é a mesma da licença-paternidade, explicada em detalhe no artigo vizinho. Em resumo: a empresa paga, a EPS reconhece com base nas contribuições e o empregador concilia o reembolso com o adiantamento. O procedimento vigente está no Decreto 2126 de 2023, que substituiu os capítulos 1 a 4 do título de prestações econômicas do Decreto 780 de 2016. O que muda é a escala: 18 semanas são nove vezes as duas da paternidade, e o adiantamento cresce na mesma proporção.
Quanto tempo a EPS tem para pagar o empregador?
Conforme o artigo 2.2.3.4.3 do Decreto 780 de 2016, substituído pelo Decreto 2126 de 2023, a EPS revisa e liquida o pedido em 15 dias úteis e paga nos cinco dias úteis seguintes. Se descumprir, deve juros de mora e o empregador pode recorrer à superintendência nacional de saúde. O pedido leva o atestado de licença, o registro civil da criança, a solicitação de pagamento e um comprovante bancário recente. O empregador não pode descontar a licença das contribuições de saúde.
Esses prazos começam quando o pedido é apresentado à EPS. Confira seu formulário e os documentos exigidos antes de protocolar.
Requisitos de contribuição para a EPS reconhecer a licença-maternidade
A EPS reconhece a licença-maternidade quando a funcionária estava filiada e ativa no parto, contribuiu durante os meses da gestação, inclusive o mês em que a licença começa, e apresenta um atestado válido. O Decreto 2126 de 2023 considera apenas as contribuições do aportante relativas ao período da gestação.
Se a funcionária contribuiu por um período menor que a gestação, o pagamento é proporcional: dias contribuídos divididos pelos dias de gestação, multiplicados pelos dias de licença. A liquidação usa a base de contribuição informada no primeiro dia da licença. A Tabela 1 mostra como muda a posição do empregador. Os casos são ilustrativos e devem ser confirmados com a EPS.
| Situação da funcionária | O que a EPS reconhece | Efeito para o empregador |
|---|---|---|
| Contribuiu toda a gestação e a PILA está em dia | O valor integral das 18 semanas | Recupera o salário adiantado se apresentar o pedido |
| Contribuiu só parte da gestação | Valor proporcional aos dias contribuídos | Deve definir com assessoria como tratar a diferença |
| Contribuiu sobre base inferior ao salário real | Valor calculado sobre o que foi contribuído | Recebe menos do que paga e corre risco de fiscalização da UGPP |
| Contribuições de empregadores diferentes durante a gestação | Só as do aportante e período correspondentes são consideradas | Conciliar dias e bases por aportante antes de pedir o pagamento |
A proporcionalidade liga a licença à qualidade da PILA. Uma base mal apurada reduz o que a EPS reconhece e expõe a empresa à UGPP. O artigo 178 da Lei 1607 de 2012 permite iniciar procedimentos em até cinco anos do prazo para declarar. A apuração mensal está explicada em PILA: contribuições à seguridade social na Colômbia.
Estabilidade da gestante na Colômbia: fuero de maternidad e demissão
A estabilidade da gestante na Colômbia proíbe demitir uma funcionária por gravidez ou lactação e cobre a gestação e as 18 semanas posteriores ao parto. A Lei 2141 de 2021 alterou os artigos 239 e 240 do Código Substantivo do Trabalho e presume que a demissão nesse período decorre da gravidez ou da lactação.
Para encerrar o contrato por justa causa no período protegido, o empregador precisa de autorização prévia do inspetor do trabalho ou, onde não houver, do prefeito municipal. Sem ela, a funcionária tem direito a indenização de 60 dias de trabalho, além dos demais valores devidos. A mesma lei estende proteção e indenização ao trabalhador cuja cônjuge ou companheira está grávida, desde que ela não tenha emprego formal.
A empresa pode deixar vencer o contrato a prazo de uma funcionária grávida?
Uma empresa colombiana não deve simplesmente deixar vencer o contrato por prazo determinado de uma funcionária grávida, porque a presunção e a exigência de autorização prévia podem alcançar também a não renovação. Antes de comunicar qualquer decisão sobre uma funcionária grávida, solicite a autorização ou documente uma causa objetiva. O custo de errar segue a lógica de qualquer demissão sem justa causa, tratada em indenização por demissão sem justa causa na Colômbia.
Licença parental compartilhada e flexível: como muda o planejamento
A Lei 2114 de 2021 criou duas figuras que alteram o calendário de ausências: a licença parental compartilhada e a flexível de tempo parcial. Ambas são pactuadas entre a funcionária e o companheiro e mudam quem se ausenta e quando.
Na compartilhada, as últimas seis semanas da licença da mãe podem ser divididas entre mãe e pai de comum acordo, contadas desde a data do parto. As primeiras semanas após o parto são intransferíveis, e a licença própria do pai não pode ser reduzida pelo uso desta figura. Na flexível de tempo parcial, a mãe ou o pai trocam um período de licença por trabalho de meio período de duração dupla. A mãe não pode usá-la antes da semana 13 da licença. Cada período é pago com base no salário de quem o usufrui.
A Tabela 2 compara o que cada modalidade significa para o empregador.
| Modalidade | O que acontece | O que o empregador deve planejar |
|---|---|---|
| Licença ordinária | A mãe se ausenta por 18 semanas seguidas | Uma substituição contínua e um único adiantamento |
| Licença compartilhada | Até seis semanas passam ao pai por acordo | Duas ausências em momentos distintos e duas bases salariais |
| Licença flexível de tempo parcial | Um período é trocado por meio período de duração dupla | Cobertura parcial mais longa e controle do pagamento por período |
A compartilhada ou a flexível aumentam o trabalho administrativo: cada período tem seu atestado, seu lançamento na PILA e seu cálculo, conforme o salário de quem usufrui. Combine as datas por escrito com a funcionária e guarde o registro em sua pasta.
Caixa e substituição: um exemplo com premissas
O efeito da licença-maternidade no caixa é a diferença entre o salário que a empresa paga a cada mês e o reembolso que a EPS entrega depois. O caso abaixo é hipotético, usa premissas rotuladas e não representa preços nem resultados da Soulbit.
Premissas: uma funcionária com salário mensal de 4.000.000 de pesos colombianos, licença de 18 semanas (126 dias) e valor diário igual ao salário dividido por 30. O valor diário é 133.333 pesos e as 18 semanas somam 16.800.000 pesos. Se, em um cenário alternativo, ela tivesse contribuído por 36 de 40 semanas de gestação, a proporção seria de 90 por cento: 15.120.000 pesos, com diferença de 1.680.000 pesos que a empresa deve tratar conforme sua assessoria.
Com o salário mínimo o valor é menor. O decreto que fixou o salário mínimo de 2026 em 1.750.905 pesos, o Decreto 1469 de 2025, resulta em 7.353.801 pesos para as 18 semanas. Se, como premissa, a empresa protocola de imediato e a EPS autoriza e paga nos 15 mais cinco dias úteis previstos no Decreto 2126 de 2023, o adiantamento financiado fica perto de um mês de salário por licença em curso.
Dois custos o reembolso não cobre. O primeiro é a substituta temporária, cujo salário e encargos saem do orçamento da empresa. O segundo é o tempo de transição e treinamento. Para orçar a substituição, use o custo real de contratação descrito em como pagar a folha na Colômbia.
Como evitar que os adiantamentos de licenças pressionem a tesouraria?
Reserve a cada mês um valor para adiantamentos que a EPS reembolsa e concilie-os como uma conta a receber separada, com o nome da funcionária e o período. Assim o financeiro distingue um adiantamento recuperável de uma despesa definitiva. Informe o afastamento na PILA do período e guarde em uma única pasta o atestado, a planilha, a liquidação e o comprovante do reembolso.
O que o V1 da Soulbit entrega e o que não entrega
O Soulbit Salaries é o módulo previsto para dispersar folha de pagamento, não um sistema de liquidação de licenças. O V1 inclui saldos em USDC e USDT, dispersão de pagamentos locais em pesos colombianos e em dólares, pagamentos recorrentes e em lote, contas de funcionários, custódia institucional, KYB e monitoramento AML/KYT.
O que a Soulbit não faz importa aqui. Não calcula o valor de uma licença, não liquida a PILA, não determina a base de contribuição e não apresenta pedidos nem reembolsos à EPS. Também não substitui o contador nem o software de folha. Essa responsabilidade permanece com a empresa ou com seu fornecedor.
Sua função começa depois do cálculo. Quando a folha determina o salário líquido de cada período de licença, esse pagamento pode entrar na dispersão em lote, como explica folha em lote: do arquivo à dispersão. Isso não altera as obrigações trabalhistas nem previdenciárias da empresa.
Perguntas frequentes
Quantas semanas dura a licença-maternidade na Colômbia em 2026?
A licença-maternidade na Colômbia dura 18 semanas remuneradas, conforme a Lei 1822 de 2017, que alterou o artigo 236 do Código Substantivo do Trabalho. Em parto prematuro soma-se a diferença entre a idade gestacional e o termo, e em parto múltiplo acrescentam-se duas semanas. Confirme o texto vigente antes de cada folha.
Quem paga a licença-maternidade na Colômbia, a empresa ou a EPS?
A licença-maternidade é uma prestação econômica que a EPS reconhece quando os requisitos de contribuição são cumpridos. Na prática, a empresa costuma manter o pagamento do salário e depois pedir o reembolso à EPS. Essa diferença de calendário é o efeito no caixa que a empresa brasileira com equipe local deve orçar.
A empresa pode demitir uma funcionária grávida na Colômbia?
Uma empresa na Colômbia não pode demitir uma funcionária por gravidez ou lactação e precisa de autorização prévia da autoridade trabalhista para encerrar o contrato por justa causa. A Lei 2141 de 2021 estende a proteção até 18 semanas após o parto e fixa indenização de 60 dias de trabalho se não houver autorização.
Uma empresa brasileira sem filial na Colômbia pode registrar a licença?
Uma empresa que emprega pessoas na Colômbia precisa de estrutura jurídica local, ou de um empregador de registro terceiro, para filiar os trabalhadores e apresentar a licença à EPS. Sem essa estrutura não há conta de empregador para pedir o reembolso. Confirme o arranjo com um advogado trabalhista colombiano antes da primeira contratação.
A Soulbit gerencia a licença-maternidade ou o reembolso da EPS?
Não. A Soulbit é uma infraestrutura de pagamentos e tesouraria: não calcula licenças, não determina a base de contribuição nem apresenta pedidos à EPS. Seu papel começa quando a empresa já calculou a folha e precisa dispersar o pagamento líquido aos trabalhadores na Colômbia.
Sua empresa quer incorporar stablecoins à operação?
Entre na lista de espera da Soulbit e comece a pagar folha, cobrar e gerir tesouraria sem passar pelo SWIFT.
Entre na lista de espera